domingo, 30 de novembro de 2014

Estou por cá há 3 meses e 1 dia. Parabéns para mim.

Tenho-me deixado estar ausente, pelo que peço desculpa. Os dias têm sido cheios dessa expressão bonita que é o "lufa-lufa". Por melhores razões nuns dias, por piores razões noutros...
Na semana que passou fui passar o meu aniversário a casa.
Foi muito bonito, e também muito emotivo.
Recordo bem o dia do meu 29º aniversário, no dia 20 de Novembro. Que começou no metro, continuou no aeroporto com uns nervos desgraçados e uma excitação enorme, e se demorou nos braços dos pais e do companheiro à chegada a Lisboa.
O M. faltou mesmo a uma consulta para me esperar. Os pais estavam em êxtase. Foi tudo tão rápido que parece que se esfumou por entre os abraços, os beijinhos e os sorrisos.
Enchi a pança com a comida boa dos pais, que trabalharam num verdadeiro menu ao longo da minha estadia.
O dia do meu aniversário passou com um cozido à portuguesa ao almoço (cheio das coisas que mais adoro), e terminou num italiano despretensioso com óptimas pizzas, rodeada dos que me são do coração - os pais, o companheiro, a mana e o cunhado.
Os dias seguintes foram de azáfama, para ir corrigir a graduação dos óculos (que os computadores de Manchester já andam a estrafalhar os olhos da menina), para visitar o sobrinho recém-nascido, o A. (que é lindo!!), para visitar algumas pessoas, para aterrar na minha cama feita de nuvens e para mergulhar numa noite com os amigos, que foi absolutamente perfeita. Quero demorar-me neste momento: uma mesa cheia de pessoas dos mais diferentes contextos, desde alguém que conheço desde a escola primária até ao G., que conheci aqui mas que se mudou agora para Portugal e fez questão de estar presente; desde seguranças, a jogadores de póquer, a psicólogas, investigadores, bio-tecnólogos e professores, a mesa tinha de tudo um pouco... todos se deram bem, as gargalhadas foram mais que muitas e deu para matar as saudades da pessoa feliz que me sinto na sua presença!

O regresso a Manchester, depois de tantos mimos dos papás, dos amigos (e até do cão) foi, como se esperava, duro. Estava uma noite especialmente fria no domingo, e talvez por isso fiquei doente nessa madrugada. Na segunda-feira ainda fui trabalhar, cheia de dores de garganta e depois até com febre, mas caí à cama durante dois dias, só conseguindo voltar a mexer-me de lá na quinta-feira.
Aqui sim, foi um momento complicado; só sabemos a sorte que tínhamos quando nos vemos sozinhos, com temperatura alta e dores, entre o frio e os calores, ou seja, numa situação de enorme vulnerabilidade e sem ninguém para nos dar um mimo. Há muito que não me ia tanto abaixo, e penso que foi uma mistura de coisas, entre as emoções fortes da ida a casa e o frio imperdoável (ou alguma virose que apanhei). As mudanças têm destas coisas, há sempre dois lados em tudo...

Ora ontem, depois de alguns dias menos felizes, tive uma noite muito alegre! Pela primeira vez fui sair com os meus flatmates, fomos a um clube assistir a um espectáculo audio-visual preparado por um dos flatmates, o E. (francês, recorde-se). Fui eu, o P. (inglês), a F. (italiana) e o G. (um italiano amigo da F., a viver cá temporariamente). Eu sentia-me especialmente bonita, no meu vestido/calção de bolinhas e maquilhada a preceito para a noite inglesa - praticando alguns dos conselhos da mana para uma maquilhagem impecável! Fui bastante elogiada e confesso que me sentia nas nuvens.
Depois de algumas bebidas, fomos juntar-nos ao casal que vivia antes aqui no meu quarto, o J. e a P., num bar onde se fazia o quê... jogava-se ping-pong!!
E acreditem-me, a combinação desta actividade com o ambiente e o estado de espírito de quem já bebeu um bocadinho pode tornar-se especialmente divertida!
No fim da noite, perto das 4, viemos para casa partilhando um táxi (custou menos de 6 libras), e todos fizemos uma ceia antes de ir para a cama (uns comendo brócolos crus e banana, outros torradas e outros ainda pasta com pesto...!)... estávamos todos esfomeados e eu só pensava na minha rica roulote no Infantado!

E foi assim que, sem querer, celebrei o dia exacto dos meus três meses em Manchester. Com pompa e circunstância.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Faltam 10 dias. A Florence foi às compras. E recebi um postal!

Faltam 10 dias para voltar à minha cidade.
Não há palavras para descrever como estou feliz. E também admirada. Como o tempo passa a correr!

Ainda ontem saía do avião, de olhos marejados de lágrimas. Parece que foi ontem, quando a solidão me esmagava o peito. Ainda mesmo há pouco, aterrei numa casa onde me sentia miserável. Onde depois fiz amigos, que tornaram a casa menos miserável.
Depois, e logo a seguir, vim para esta casa, onde me senti um pouco melhor. Assim fui conhecendo esta cidade, ao início tão insípida a meus olhos. Fui-me encarregando de ficar a sós com ela, para a conhecer, e deixar que ela me conhecesse a mim (ou fui eu que me fui conhecendo melhor a mim própria?). Aprendi a saborear esses momentos de solidão. A misturar-me na multidão. A resolver os meus assuntos pelas minhas mãos. A ter tempo para mim.
Depois tive a visita do M., e o meu mundo tornou-se ainda mais risonho, as horas mais esguias. Logo a seguir (porque os dias voaram!), ele foi embora e o meu coração partiu-se um bocadinho... mas a recuperação foi mais rápida do que o costume.
E agora, assim num pulinho, já passaram dois meses desde que estou aqui, e estou prestes a ir a casa de fim-de-semana.
Que orgulhosa que estou de mim...

Também estou feliz, porque recebi mais um postal da C.. Repetindo a doce piada do esquilo, que me coloriu os olhos nos meus primeiros dias em Manchester, antevi uma colecção de esquilos na parede! Sorri com as suas palavras. Senti-a perto. Senti saudades, das que fazem sorrir.
A caneta entretanto já se vingou nos últimos postais (tenho definitivamente de ir comprar mais... e mais selos), apanhada por esta febre boa da escrita. Já começo a sentir energias bonitas na minha parede!


Ah, E a Florence e eu hoje fomos às compras nocturnas, pela primeira vez (que aqui o sol põe-se às 16h30...)! Já munida das suas luzes, mais parecia uma árvore de Natal, cheia de estilo, a piscar o olho à noite escura. Já se vai mostrando mais segura (ela, e não a condutora!) na estrada. Fomos ao Iceland, o paraíso dos congelados, buscar uma lasanha, e depois pão e eclairs de chocolate do Aldi (surpreendentemente bons!).
E quando chegámos, a Florence e eu ainda tivemos uma prenda: o E., o flatmate francês "emprestadeu-nos" um pannier... será mais fácil irmos às compras da próxima vez. Já estamos quase prontas para fazer disto rotina diária! Só falta que a Florence deixe de enguiçar na terceira mudança, porque a dona ainda não está em forma para estas brincadeiras...!

sábado, 8 de novembro de 2014

Dois meses e continuamos por cá.

Ora bem, não venho cá há imenso tempo!! Desde então, tanta coisa tem acontecido... vamos ver se consigo actualizar condignamente quem se dá ao trabalho de aqui me vir visitar!
Pelo Halloween ofereci-me uma prenda especial - uma bicicleta à qual dei o nome de Florence. É uma bicicleta de 1990, já com uns toques de ferrugem, um selim branco de pele um bocadinho rijo e ligeiramente alta demais para as minhas pernas portuguesas. Não obstante, acho que fazemos uma dupla muito elegante!
O Halloween teve também um lado um bocadinho triste para mim. Uma das minhas maiores amigas fez a sua despedida de solteira no dia 1, em Lisboa. Tive, apesar da distância, o privilégio de assistir a um bocadinho deste dia tão importante para ela através do skype, testemunhando a sua alegria. Revi amigos e troquei sorrisos, mas também caíram lágrimas. Queria estar ali, no meio deles. Queria ajudar a criar aquele vestido de noiva-cadáver com papel higiénico, e contribuir para aquele sorriso...  Uma barreira física impedia-me. Mas o meu coração estava lá.

Desde então tenho andado em "experiências ciclistas" aqui pela zona, para tentar recuperar um pouco a forma que tinha perdido.
Gostava de conseguir passar a ir trabalhar de bicicleta - iria poupar uns cobres valentes no passe de autocarro, ainda que tivesse de fazer algum investimento - luzes para a bicicleta, calças para proteger da chuva, quem sabe um cestinho... Mas acho que tenho de atingir uma boa forma física primeiro, para não chegar à Faculdade a suar desvairadamente!
No domingo fui mesmo de bicicleta até ao centro, e foi então que uma memória antiga veio até mim.
A memória de mim e do M. a percorrermos as ruas de Barcelona nas nossas bicicletas. Acho que foi nessa ocasião que vesti o meu sorriso mais verdadeiro e sincero. Lembro-me de o M. dizer várias vezes que nunca me tinha visto tão feliz. E estava, de facto. 
Talvez em resultado de andar de boca aberta, extasiada pela experiência, na segunda-feira acordei quase sem conseguir engolir. Tinha altos na língua, e a língua verde.
Ao longo da manhã não me sentia nada confortável, pelo que acabei por sair do trabalho e ir a um walk in centre, uma espécie de posto de saúde para quem não está registado no sistema de saúde de cá (e portanto não tem um médico de família, general practitioner ou GP, como eles chamam). A parte curiosa deste centro é que fica dentro da loja Boots.
Fui vista por um médico que me mediu a febre, examinou garganta e ouvidos, concluindo que devia tratar-se de uma infecção ou fungo na língua, já que não tinha nenhuma outra zona afectada.
 Desci com uma receita na mão (sem pagar nada pela consulta), e aviei um xarope antibiótico para a língua na farmácia da Boots.
Felizmente o médico tinha razão; no dia seguinte os altos na língua já não me incomodavam, e a língua foi perdendo a cor verde ao longo dos dias.
Na quinta-feira passei uma das melhores noites desde que estou aqui, apesar de ser uma ocasião menos feliz. A M., que eu conheci na casa para onde fui quando cheguei a Manchester, e que tanto me apoiou quando precisei, estava a fazer um jantar de despedida. No dia seguinte iria para o Peru por 3 meses, cumprindo um sonho que tinha há muito tempo.
Neste jantar conheci os dois franceses que estão a morar agora na casa da M. e do G., bem como um casal de portugueses amigos do G., que têm dois filhos.
Jantámos uma pasta muito boa, conversámos em várias línguas, tivemos fogo de artifício  no quintal, rimos bastante, e despedimo-nos desta menina de coração grande. Fiz-lhe um postal que penso que simboliza o quanto ela foi importante para mim, e despedi-me dela com um abraço.
Hoje voltei a ir ao centro de bicicleta, comprei luzes para a bicicleta e as calças para a chuva. Tenho algum medo de estar a gastar demasiado dinheiro com isto, mas a minha esperança é que eu venha a ser capaz de me habituar totalmente à bicicleta. Sei que me iria sentir muito feliz comigo própria, se fosse capaz de o fazer.
Ainda de contar que esta semana estivemos todos juntos, os flatmates, na sala a ver o filme Leon. Foi um momento bom, talvez por ser raro.
E pronto, por hoje acho que é isto. Em resumo, acho que acolhi o mês de Novembro de braços abertos. Já passei a barreira dos dois meses, e continuo forte.
Boa noite, a todos os meus amigos debaixo dos nossos bonitos blue skies. Ainda que não estejam muito azuis hoje, é assim que me recordo deles.