sábado, 8 de novembro de 2014

Dois meses e continuamos por cá.

Ora bem, não venho cá há imenso tempo!! Desde então, tanta coisa tem acontecido... vamos ver se consigo actualizar condignamente quem se dá ao trabalho de aqui me vir visitar!
Pelo Halloween ofereci-me uma prenda especial - uma bicicleta à qual dei o nome de Florence. É uma bicicleta de 1990, já com uns toques de ferrugem, um selim branco de pele um bocadinho rijo e ligeiramente alta demais para as minhas pernas portuguesas. Não obstante, acho que fazemos uma dupla muito elegante!
O Halloween teve também um lado um bocadinho triste para mim. Uma das minhas maiores amigas fez a sua despedida de solteira no dia 1, em Lisboa. Tive, apesar da distância, o privilégio de assistir a um bocadinho deste dia tão importante para ela através do skype, testemunhando a sua alegria. Revi amigos e troquei sorrisos, mas também caíram lágrimas. Queria estar ali, no meio deles. Queria ajudar a criar aquele vestido de noiva-cadáver com papel higiénico, e contribuir para aquele sorriso...  Uma barreira física impedia-me. Mas o meu coração estava lá.

Desde então tenho andado em "experiências ciclistas" aqui pela zona, para tentar recuperar um pouco a forma que tinha perdido.
Gostava de conseguir passar a ir trabalhar de bicicleta - iria poupar uns cobres valentes no passe de autocarro, ainda que tivesse de fazer algum investimento - luzes para a bicicleta, calças para proteger da chuva, quem sabe um cestinho... Mas acho que tenho de atingir uma boa forma física primeiro, para não chegar à Faculdade a suar desvairadamente!
No domingo fui mesmo de bicicleta até ao centro, e foi então que uma memória antiga veio até mim.
A memória de mim e do M. a percorrermos as ruas de Barcelona nas nossas bicicletas. Acho que foi nessa ocasião que vesti o meu sorriso mais verdadeiro e sincero. Lembro-me de o M. dizer várias vezes que nunca me tinha visto tão feliz. E estava, de facto. 
Talvez em resultado de andar de boca aberta, extasiada pela experiência, na segunda-feira acordei quase sem conseguir engolir. Tinha altos na língua, e a língua verde.
Ao longo da manhã não me sentia nada confortável, pelo que acabei por sair do trabalho e ir a um walk in centre, uma espécie de posto de saúde para quem não está registado no sistema de saúde de cá (e portanto não tem um médico de família, general practitioner ou GP, como eles chamam). A parte curiosa deste centro é que fica dentro da loja Boots.
Fui vista por um médico que me mediu a febre, examinou garganta e ouvidos, concluindo que devia tratar-se de uma infecção ou fungo na língua, já que não tinha nenhuma outra zona afectada.
 Desci com uma receita na mão (sem pagar nada pela consulta), e aviei um xarope antibiótico para a língua na farmácia da Boots.
Felizmente o médico tinha razão; no dia seguinte os altos na língua já não me incomodavam, e a língua foi perdendo a cor verde ao longo dos dias.
Na quinta-feira passei uma das melhores noites desde que estou aqui, apesar de ser uma ocasião menos feliz. A M., que eu conheci na casa para onde fui quando cheguei a Manchester, e que tanto me apoiou quando precisei, estava a fazer um jantar de despedida. No dia seguinte iria para o Peru por 3 meses, cumprindo um sonho que tinha há muito tempo.
Neste jantar conheci os dois franceses que estão a morar agora na casa da M. e do G., bem como um casal de portugueses amigos do G., que têm dois filhos.
Jantámos uma pasta muito boa, conversámos em várias línguas, tivemos fogo de artifício  no quintal, rimos bastante, e despedimo-nos desta menina de coração grande. Fiz-lhe um postal que penso que simboliza o quanto ela foi importante para mim, e despedi-me dela com um abraço.
Hoje voltei a ir ao centro de bicicleta, comprei luzes para a bicicleta e as calças para a chuva. Tenho algum medo de estar a gastar demasiado dinheiro com isto, mas a minha esperança é que eu venha a ser capaz de me habituar totalmente à bicicleta. Sei que me iria sentir muito feliz comigo própria, se fosse capaz de o fazer.
Ainda de contar que esta semana estivemos todos juntos, os flatmates, na sala a ver o filme Leon. Foi um momento bom, talvez por ser raro.
E pronto, por hoje acho que é isto. Em resumo, acho que acolhi o mês de Novembro de braços abertos. Já passei a barreira dos dois meses, e continuo forte.
Boa noite, a todos os meus amigos debaixo dos nossos bonitos blue skies. Ainda que não estejam muito azuis hoje, é assim que me recordo deles.

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