domingo, 26 de outubro de 2014

Hoje, este é para o M.

A quem por aqui costuma passar em busca de notícias da Nani, começo por pedir desculpa.
É que sabem, esta foi a semana mais feliz que passei desde que aqui estou. E tal como a esmagadora maioria dos momentos que valem a pena não são captados pelas luzes de uma câmara (nem são colocadas à disposição nas redes sociais), porque o coração está ocupado a sorrir, também este "momento" ficou por captar... porque estava a ser vivido.

Porque o momento foi de saborear. De aproveitar, de esmifrar as horas.
O meu M. veio cá passar uma semana comigo. E só agora, sentada no quarto que voltou a ficar vazio, é que consigo recapitular os dias.
Estou contente comigo, com o percurso que tenho feito até aqui, por várias razões. Porque me adaptei, apesar de não ter sido fácil. Porque estou continuamente a aprender novas formas de me safar sozinha. Estou a escrever um capítulo novo na minha história ao ser capaz de sorrir, ao colo da solidão.
Ah, e também estou contente porque não chorei quando nos despedimos no aeroporto. Porque de resto, não houve nada de difícil em ter-te aqui.

Mas o quarto está triste, M.. Ele aponta o dedo à prateleira desocupada que deixaste, à almofada que perdeu o emprego. Refila das bolachas que deixaste aqui ficar, porque sabe que eu não as vou comer. Queixa-se dos risos que ouviu, das conversas que guardou, e das quais já só sobra o eco.
Os pequenos sinais de que estiveste aqui são pequenos murros no estômago (para o quarto, claro está). Porque podia ter sido tudo um sonho. Mas está ali o boneco que trouxemos do MacDonalds. Aqui estão duas toalhas molhadas no estendal, em vez de uma. Na cómoda ficou a tua lâmina de barbear.
Ele queixa-se que está mais frio aqui dentro, agora. Se formos a ver, até concordo com ele, não sei bem porquê.
Mas fico zangada com este quarto, sabes M.? Porque fui eu que vim para cá. Habitei-o sozinha, adaptei-me, fiz dele meu.
E agora que lhe demos este gostinho dos dias partilhados a dois, ele não se satisfaz com menos. Suponho que o percebo... tal como um corpo se molda a um abraço, também os dias se adaptam ao mimo. Olha, eu cá adaptei-me lindamente. Em poucos dias, concluí que podia viver sempre assim!

Porque viver contigo é tão fácil. Tão fácil que até me deixa tempo de sobra para embirrar contigo e com as tuas manias, e tu com o passatempo divertido de me contrariares...
Agasalho-me bem, aceitando o frio no quarto. Tenho de reconhecer que apesar disso, há uma luz que perdurou aqui, mesmo depois de teres ido.
Uma luz de gratidão, pela mala cheia de amor que me trouxeste, toda ela numa língua que eu entendo. Caíram algumas lágrimas, porque afinal Manchester ainda não mudou assim tanto a Nani! Isso só serve, no entanto, para mostrar que ela não é fácil de dobrar...
Obrigada por me relembrares do porquê de eu estar aqui. E por me recarregares com a recordação e a energia de dias felizes e partilhados, que me deram forças para continuar. Esperança.

1 comentário:

  1. :´) Foi muito bom estar aí contigo, adorei todos os momentos que partilhámos e aproveitámos juntos.

    Sabes... fiquei muito orgulhoso de ti, senti que estás mais forte, adaptada, e a disfrutar desta nova experiência nessa casa e nessa cidade, em vez de estares a desesperar para ir embora.

    Acredita mais em ti, pois és uma pessoa muito forte, que vai à luta e ultrapassa obstáculos em vez de os evitar.

    Aproveita cada segundo, disfruta de tudo e sorri :)

    M.

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