terça-feira, 9 de setembro de 2014

Dia 11 (porque o dia 10 foi uma trampa)

(Decidi ignorar a descrição do dia 10, porque não havia nada de agradável para contar. Achei melhor assim.)
Hoje tive outro dia bom. Sem razões de maior que o justifiquem, acho eu. Talvez apenas em comparação com o dia de ontem. Talvez porque hoje houve sol. Talvez porque houve passeio à hora de almoço, que sempre arrebita mais do que comer em frente ao ecrã do computador.
Hoje foi dia de correio. Foi dia de passar boas energias, de atirar sorrisos ao papel.
O fim do dia, a chegada a casa foram abençoadas com luz. E por isso foi também dia de ir ao parque que fica mesmo em frente à minha casa, apanhar os últimos raios de sol.
Sentei-me num banco do jardim e fiz o que sei fazer de melhor. Observei.
Aqui as coisas são diferentes. É divertido, isso.
As pessoas deslocam-se até ao parque, para dar aos filhos um pouco de qualidade de vida.
Vemos grupos de mães animadamente à conversa, enquanto os filhos brincam nos baloiços ou correm pela relva. A diferença aqui é que este grupo de mães, sentadas na relva em vez de se sentarem nos bancos, estão tapadas de alto a baixo. Com os seus sáris, com as suas burkhas, deixam ver pouco mais do que os seus olhos pintados. Os seus filhos correm, brincam, andam de bicicleta, não parecendo estar minimamente incomodados com isso. Vendo bem, o elemento estranho ali sou eu! O que eu quero dizer é, o mundo continua a girar...
Aqui vai-se à mesquita em vez da igreja - no meu bairro, pelo menos. Trata-se verdadeiramente de uma zona residencial, tranquila. Vejo um pai a chegar de bicicleta com o filho atrás de si,. Pedalam até ao baloiço que provavelmente é o favorito do mais pequeno. Descem das bicicletas, que abandonam tranquilamente para se entregarem à brincadeira.
O jardim está cheio com os sons de crianças felizes, apenas interrompido pelo som dos pássaros. Para o observador mais distraído, não estamos no meio da cidade. As árvores frondosas e gigantes do parque criam esta ilusão, abafam o som dos carros, deixam apenas lugar para as famílias.
Obrigo-me a respirar fundo, a fechar os olhos e a relaxar. Sinto a cabeça a rodopiar ligeiramente, como se andasse a voar e só agora me atrevesse a poisar, devagarinho.
Quando as pernas pedem para andar, vou às compras, caminho sem pressa. Junto ao parque há um centro de desportos, com ringues onde vários grupos de jovens e homens adultos gastam as últimas energias do dia, a jogar basket e futebol. Por momentos tenho vontade de saltar lá para dentro. Já tenho saudades de praticar desporto.
Há dias em que parece que algo está a mudar dentro de mim. Que começo a entender e a integrar o que estou aqui a fazer. Desejo com todas as forças agarrar-me a essa sensação, para não a perder. Ao entrar na minha rua, passo novamente pelo parque. Volto a olhar para as crianças, abstraídas, felizes. É por isso que estou aqui. Para construir um futuro para mim. No país que me viu crescer.

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