Digamos que eu andava ansiosa por poder finalmente desfazer as malas - deixar-me desta coisa de abrir e fechar a mala de cada vez que queria uma blusa, um creme ou umas cuecas. Assentar arraiais.
Mas quando chegou a hora de desempacotar, caiu mais uma ficha - "ah pois é, menina, vieste para ficar. Agora aguenta."
O quarto estava desprovido de vida, embora em muito melhores condições do que o anterior.
É muito espaçoso, tem janelas enormes e uma vista para o jardim. Chão de madeira corrida e um chuveiro só para mim, são comodidades que não são fáceis de conseguir. Mas não é a minha casinha, não é? Para além de que isto é o paraíso das aranhas...
Pelas minhas contas, vou passar os próximos meses a conviver com uma espanhola, uma italiana, uma francesa, um inglês e um francês americanado. Ah, e os dois espanhóis que estavam no meu quarto, que são uns queridos e que prometem voltar já amanhã, para conviver. Pois é, estes meninos decidiram mudar-se para irem viver juntos, mas só deviam sair no dia 12... saíram mais cedo daqui por minha causa, para me dar a vez, porque gostaram de mim. Tenho tido mesmo muita sorte com as pessoas que se têm cruzado no meu caminho.
A noite foi complicada - olhamos à volta, sabemos que aquele vai ser o nosso lugar durante algum tempo, mas não vemos nele a nossa cara, o nosso conforto - não reconhecemos o nosso lar, que está lá bem longe, com as pessoas de quem gostamos agarradinhas a ele.
E foi assim que cheguei a Saint Hilda's Street. Meio alegre, meio chorando.
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