sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Dia 14

Mais um dia de aventuras!
Hoje, não sendo dia de trabalho, foi dia de dormir mais um bocadinho. Não muito, que o despertador interno está activado, e eu não quero que ele se desligue, senão depois no domingo à noite temos petisco.
Ainda pela manhã, recebi um miminho de Portugal! Vinha na forma de um postal lindíssimo (vejam como é lindo!), envolto num envelope cuja cor alegre me fez desde logo saber o remetente. O desenho remete para o "amigo" por quem passo praticamente todos os dias, a caminho do trabalho, e que anda a pastar no relvado por entre as árvores junto à faculdade. As palavras que vinham lá dento devolveram-me a casa, e diminuíram a distância. Em resumo, esta surpresa aqueceu o motor do sorriso, que ficou pronto para se mostrar ao longo do resto do dia.
Saí de casa já tarde, depois de algumas arrumações e de um banho, e fui para o centro - onde me sinto bem, rodeada de gente.
Passei pelo espaço de arte de que falei há dias, o Cornerhouse - único sítio onde até agora consegui beber aquilo que é a verdadeira bica - em matéria de chávena, de quantidade e de sabor. São duas libras e vinte, até dói... mas é realmente uma bica, e o meu coração lisboeta pede!
Depois subi até à Market Street, onde comprei um casaco - a mãe é que tinha razão, a dizer que eu ia ter de fazer uma comprinha! - e um mapa mundo para tapar os buracos da parede...
Fartei-me de passear, até descobri a famosa Catedral, que é realmente bastante bonita. Está rodeada por pubs, que a partir das cinco horas se enchem de ingleses, a beberem as suas pints.
Quando vinha a sair dessa ruela de pubs, de repente oiço uma voz de rua, um autêntico Jamie Cullum! Olho para o lado e vejo um rapaz super novinho com uma guitarra, a encher a rua com a sua voz fantástica. Não resisti a dar-lhe uma moeda e recebi um sorriso de volta. Senti-me quase obrigada a dar algo de volta, por esse bocadinho bom que passei ali a ouvi-lo.
A verdade é que também eu bebi uma pint - em Roma, sê romano!-, algo por acaso! Eu andava danada para comer um bifinho, que o meu lado carnívoro já se andava a ressentir. Descobri um cafezinho francês, com uma esplanada amorosa, chamado Café Rouge. O bife não era a melhor coisa do mundo, mas também era o mais barato de todos... Deu para matar o vício! Bom, e para acompanhar pedi uma cerveja. O empregado perguntou: "pequena ou grande?", e eu apressei-me a responder "pequena!". Bom, não sei o que é que ele interpretou daí, mas trouxe-me uma pint (meio litro) e disse-me "cobrei-te uma pequena mas trouxe-te uma grande...", com um sorriso e um piscar de olho. Eu cá fiquei aflita, porque 1) tinha pouca coisa no estômago, 2) já não bebia desde Portugal, e 3) estava sozinha e teria de ir para casa. Mas bem, fiz o meu melhor por estar à altura da oferta, só bebi quando o bife chegou e fui bebendo aos poucos, enquanto lia o meu livro. Quando me quis levantar as pernas estavam um bocadinho dormentes, mas lá encontraram o caminho para casa...!
Estranho foi só chegar a casa e não estar ninguém - foi tudo sair, é sexta-feira, claro... E depois saber que os meus meninos iam todos sair para o nosso bar favorito de cocktails em Lisboa... foi estranho, não poder ir, estar sozinha em casa... Tive de fazer um esforço para me relembrar de porque é que estou aqui, de que é temporário e de que tenho outras coisas para aproveitar.
Por fim, recebi uma mensagem a dizer "Estamos aqui e fazes aqui muita falta. Isto não é a mesma coisa sem ti. Muitas saudades..."... e o meu coração derreteu-se. E apesar de uma lágrima malandra querer aparecer, o sorriso foi sem dúvida quem ganhou o dia.

 "Ain't no sunshine when she's gone..."






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